Quanto cobrar por um serviço sem chutar o preço

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Para saber quanto cobrar por um serviço, bastam três números: o material que sai do bolso, as horas de trabalho multiplicadas pelo valor real da hora, e a margem.

A conta é Preço = (material + mão de obra) ÷ (1 − margem). Um serviço com R$ 400 de material, 14 horas a R$ 45 e margem de 25% fecha em R$ 1.380.

O resto deste guia mostra como achar cada um dos três números, e onde a conta costuma quebrar.

Qual é a fórmula para saber quanto cobrar?

A fórmula tem três entradas e uma saída. Material e mão de obra formam o custo. A margem entra dividindo, não multiplicando.

Preço = (material + horas × valor da hora) ÷ (1 − margem)

Aplicada num quarto de 12 m² para pintar:

EntradaValorDe onde sai
MaterialR$ 400tinta, massa, lixa, fita, lona + 10% de perda
Horas14 hdois dias de serviço, incluindo a preparação
Valor da horaR$ 45custo fixo + retirada ÷ horas faturáveis
Mão de obraR$ 63014 × 45
Custo totalR$ 1.030400 + 630
Margem25%divide por 0,75
PreçoR$ 1.3801.030 ÷ 0,75 = 1.373, arredondado

Os valores acima são um exemplo resolvido, não uma tabela de mercado. Troque cada linha pelos números do próprio ofício e a conta continua valendo.

Quem quiser pular a caneta pode rodar os mesmos três campos na calculadora de preço de serviço e ver o número na hora.

O que entra no custo de material?

Entra tudo que é comprado por causa daquele serviço e não volta para a prateleira. O erro mais comum é somar só o item principal e esquecer o resto.

  • Material principal, tinta, tecido, fio, ingrediente, peça.
  • Consumível, lixa, fita, luva, saco, embalagem, gás, energia do forno.
  • Deslocamento, combustível, aplicativo, ônibus, pedágio, estacionamento. Ida e volta, e as visitas de orçamento que já foram feitas.
  • Perda e sobra, a lata de 18 L é comprada inteira mesmo quando só metade é usada. Somar de 10% a 15% sobre o material cobre corte errado, sobra e reposição.
  • Desgaste de ferramenta, um rolo, uma agulha, um bico de confeitar tem vida útil. Divida o preço da ferramenta pelo número de trabalhos que ela aguenta.
  • Terceiro, ajudante, frete, serralheiro, motoboy. Entra pelo valor cheio que sai do bolso.

Nota fiscal e comprovante de compra ficam guardados. Quando o cliente pergunta por que a tinta custou aquilo, a resposta é um papel, não uma discussão.

Como calcular o valor real da hora de trabalho?

O valor da hora é o custo fixo mensal somado à retirada desejada, dividido pelas horas que realmente são faturadas no mês, não pelas horas trabalhadas.

Valor da hora = (custo fixo do mês + retirada) ÷ horas faturáveis do mês

Um mês de jornada cheia tem cerca de 220 horas, o padrão de 44 horas semanais da CLT. Mas prestador autônomo não fatura 220 horas. Orçamento, deslocamento, compra de material, resposta de WhatsApp e dia sem cliente comem uma fatia grande.

ItemExemplo
Custo fixo do mês (celular, transporte, ferramenta, DAS do MEI)R$ 1.200
Retirada pretendida no mêsR$ 3.000
Horas trabalhadas no mês200 h
Horas que viram nota (faturáveis)120 h
Valor da horaR$ 35, (1.200 + 3.000) ÷ 120

Dividir por 200 em vez de 120 daria R$ 21 a hora. É a mesma pessoa, o mesmo mês e um prejuízo de 40% embutido em cada orçamento. O detalhe está em como calcular o preço da hora de trabalho.

Quanto de margem colocar no preço?

Margem é o pedaço do preço que sobra depois de pagar tudo. Ela se aplica dividindo o custo, e é aí que a maioria erra: somar 25% ao custo não dá 25% de margem, dá 20%.

Margem desejadaDivida o custo porAcréscimo real sobre o custo
10%0,90+11,1%
15%0,85+17,6%
20%0,80+25,0%
25%0,75+33,3%
30%0,70+42,9%
40%0,60+66,7%

Num custo de R$ 1.030, somar 25% dá R$ 1.287. Dividir por 0,75 dá R$ 1.373. A diferença de R$ 86 é exatamente o que some quando a conta é feita de cabeça.

A margem não é lucro no bolso. Ela ainda precisa cobrir:

  • imposto, o DAS do MEI é mensal e não some quando o mês é fraco (regras e limite anual no Portal do Empreendedor);
  • garantia e retrabalho, o serviço que volta sai do próprio bolso;
  • mês parado, doença, feriado e as férias que ninguém paga;
  • troca de ferramenta quebrada;
  • reserva para o material subir de preço no meio do trabalho.

Exemplos de quanto cobrar por ofício

A mesma fórmula, cinco ofícios diferentes. As entradas são exemplos resolvidos para mostrar o caminho da conta, não faixas de mercado.

Ofício e serviçoMaterialHorasHoraMargemPreço
Pintor: quarto de 12 m²R$ 40014 hR$ 4525%R$ 1.380
Eletricista: troca de quadroR$ 5206 hR$ 6030%R$ 1.260
Costureira: vestido de festaR$ 26012 hR$ 3030%R$ 890
Confeiteira: bolo de dois andaresR$ 1809 hR$ 2835%R$ 665
Montador: guarda-roupa de 6 portasR$ 405 hR$ 5025%R$ 390

Repare no bolo: R$ 180 de ingrediente parece barato, mas 9 horas de forno, montagem e entrega são o que sustenta o preço. Ofício com pouco material e muita mão de obra é justamente onde o chute mais machuca.

Que erros fazem o preço sair errado?

  1. Copiar o preço do concorrente. O custo dele não é o seu. Ele pode ter ferramenta paga, carro próprio ou estar operando no prejuízo.
  2. Cobrar por dia sem saber o valor da hora. "R$ 250 a diária" é um número redondo que ninguém conferiu.
  3. Esquecer o deslocamento. Três visitas de orçamento na cidade custam combustível e meia manhã.
  4. Não cobrar hora de preparação. Lixar parede, tirar medida, desenhar croqui, comprar material, é trabalho, e vira hora faturável.
  5. Dar desconto sem mexer no escopo. Desconto tira da margem. Se o preço cai, algo tem que sair da lista do serviço.
  6. Somar a margem em vez de dividir. O erro da tabela acima, presente em quase todo orçamento feito de cabeça.
  7. Fechar preço antes de ver o serviço. Orçamento por foto de WhatsApp esconde a parede com infiltração e o quadro elétrico de 1978.

Como transformar o número em orçamento que fecha?

O número certo em um áudio de WhatsApp perde para o número mediano em um PDF. O documento é parte do preço.

O Código de Defesa do Consumidor, no artigo 40, obriga o prestador a entregar orçamento prévio discriminando o valor da mão de obra, os materiais, as condições de pagamento e as datas de início e término. O mesmo artigo diz que o orçamento vale 10 dias contados do recebimento e que, uma vez aprovado, obriga as duas partes.

Isso não é burocracia: é a diferença entre discutir preço e mostrar um documento. O caminho fechado do trabalho tem três papéis:

DocumentoQuandoPara que serve
Orçamentoantes de fechartrava o preço, o prazo e o que está incluído
Ordem de serviçoao começardescreve o serviço aprovado e é assinada pelo cliente
Reciboa cada pagamentoprova o que foi pago e o que ainda falta

Sem esses três, cobrar depois vira palavra contra palavra, o assunto de quando o cliente não paga o serviço.

A partir daqui o cluster se abre por situação: em obra e reforma o documento é o orçamento de obra por etapas; em serviço cobrado por área, a conta vira preço por metro quadrado de pintura; antes de comprar material, define-se quanto cobrar de sinal; na entrega, fecha-se com o termo de garantia; e quando o preço já não paga as contas, o passo é o aviso de reajuste de preço.

Perguntas frequentes

Qual é a fórmula para saber quanto cobrar por um serviço?
Preço = (material + horas × valor da hora) ÷ (1 − margem). Com R$ 400 de material, 14 horas a R$ 45 e margem de 25%, o custo é R$ 1.030 e o preço fica em R$ 1.373, arredondado para R$ 1.380.
Devo cobrar por hora ou por serviço fechado?
A conta é sempre por hora, mas o cliente prefere ouvir um preço fechado. Calcule pelas horas, apresente o valor único do serviço e deixe a quantidade de horas visível apenas se o cliente pedir.
Como cobrar a visita de orçamento?
Duas saídas funcionam: embutir o custo médio das visitas no valor da hora, ou cobrar a visita e abater esse valor caso o serviço seja fechado. O que não funciona é fazer três visitas de graça por semana.
Quanto de margem é razoável em serviço?
Não existe número único. A margem precisa cobrir imposto, garantia, retrabalho, ferramenta e mês parado. Margens de 20% a 35% são comuns em serviço com material; abaixo de 15% qualquer imprevisto vira prejuízo.
O cliente pediu desconto. O que fazer?
Desconto sai inteiro da margem. Em vez de baixar o preço, tire algo do escopo: menos demãos, material fornecido pelo cliente, prazo mais folgado. O preço cai junto com o trabalho, não sozinho.
Preciso ser MEI para cobrar por um serviço?
Não é obrigatório para prestar o serviço, mas o MEI permite emitir nota fiscal, recolher INSS pelo DAS e dar mais segurança ao cliente empresa. As regras e o limite anual estão no Portal do Empreendedor, no gov.br.

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