Preço da hora de trabalho: o erro que come o lucro do serviço

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O preço da hora de trabalho sai errado por um motivo só: a conta divide o custo pelas horas trabalhadas, quando deveria dividir pelas horas faturáveis.

A fórmula correta é (custo fixo do mês + retirada) ÷ horas faturáveis. Com R$ 4.200 a cobrir, dividir por 200 horas dá R$ 21; dividir pelas 120 que viram nota dá R$ 35.

A diferença de R$ 14 por hora não aparece em lugar nenhum, ela some devagar, um orçamento por vez.

Qual é o erro no cálculo da hora?

O erro é usar o mês inteiro como base. Um mês de jornada cheia tem cerca de 220 horas, o padrão de 44 horas semanais da CLT. Mas prestador autônomo não vende 220 horas: vende as horas em que está executando um serviço contratado.

Todo o resto é trabalho não faturado, e ele existe todo mês:

Para onde vão as horasExemplo no mês
Visita e montagem de orçamento20 h
Compra de material e deslocamento24 h
WhatsApp, agenda e cobrança16 h
Limpeza, organização e manutenção de ferramenta12 h
Retorno de garantia e ajuste8 h
Total não faturável80 h

De 200 horas trabalhadas, sobram 120 horas faturáveis. É por 120 que a conta divide, as outras 80 já estão pagas por elas.

Como calcular o valor da hora de trabalho?

Três passos, nesta ordem.

  1. Some o custo fixo do mês. Tudo que é pago mesmo em mês sem serviço.
  2. Defina a retirada. Quanto precisa entrar no bolso por mês, já com uma reserva para o mês parado.
  3. Conte as horas faturáveis. Olhe os últimos três meses de agenda e some só as horas de execução.

Valor da hora = (custo fixo + retirada) ÷ horas faturáveis

A retirada merece um ajuste que quase ninguém faz. Um autônomo que quer 30 dias parados por ano precisa somar cerca de 8,3% à retirada (um mês em doze). Querer também o equivalente a um 13º acrescenta outros 8,3%. Uma retirada de R$ 3.000 vira R$ 3.500 quando férias e 13º entram na conta.

O que entra no custo fixo do prestador?

Entra o que é pago mesmo quando o telefone não toca. É o teste mais simples: se a conta chega num mês sem trabalho nenhum, é custo fixo.

  • Celular e internet
  • Transporte: parcela, seguro, manutenção, combustível de base
  • DAS do MEI, que é mensal e não olha o faturamento
  • Aluguel de ateliê, garagem ou espaço de trabalho
  • Energia e água do espaço de trabalho
  • Reposição e manutenção de ferramenta
  • Anúncio, cartão de visita, impulsionamento
  • Contador, quando houver

O que não entra aqui é o material de cada serviço, esse é custo variável e vai direto para o orçamento do trabalho, como mostra a conta de quanto cobrar por um serviço.

Quanto muda a hora conforme a base de cálculo?

Mesma pessoa, mesmo mês, mesmos R$ 4.200 a cobrir. Só muda o número usado como divisor:

Base usadaHorasHora resultanteO que acontece
Jornada teórica cheia220 hR$ 19trabalha o mês inteiro e não fecha a conta
8 h por 22 dias176 hR$ 24ainda ignora orçamento e deslocamento
Horas faturáveis reais120 hR$ 35fecha o mês como planejado
Mês fraco90 hR$ 47preço que sustenta a baixa temporada

Um serviço de 14 horas cobrado a R$ 19 em vez de R$ 35 deixa R$ 224 na mesa. Doze serviços iguais no ano, R$ 2.688. É o valor de uma ferramenta nova que nunca é comprada.

Para conferir o próprio número sem caneta e papel, a calculadora de preço de serviço faz essa divisão junto com material e margem.

Deslocamento e visita de orçamento contam como hora?

Contam como custo, sempre. A escolha é onde colocar: dentro do valor da hora, para todos os clientes, ou cobrado à parte, para quem está longe.

ModeloComo funcionaQuando usa
Diluído na horaas horas de visita entram nas não faturáveis e sobem o valor da horaatendimento no mesmo bairro ou cidade pequena
Taxa de deslocamentolinha separada no orçamento, por km ou por faixa de distânciaregião metropolitana, cliente distante
Visita cobrada e abatidacobra a visita técnica e desconta se o serviço for fechadodiagnóstico que dá trabalho: elétrica, refrigeração, vazamento

Qualquer um dos três funciona. O que não funciona é o quarto modelo, o mais comum: três visitas por semana de graça, meia manhã cada, somando 20 horas por mês que ninguém paga.

Quando subir o preço da hora?

Quando a conta muda ou quando a agenda enche. Os dois sinais são objetivos e não dependem de coragem.

  1. Material subiu. Refaça o custo do serviço; o valor da hora só muda se o custo fixo mudar junto.
  2. Custo fixo subiu. Carro novo, aluguel do ateliê, ferramenta maior: recalcule na hora.
  3. A agenda está cheia com três meses de espera. Demanda acima da capacidade é o sinal clássico de preço abaixo do mercado.
  4. Passou um ano sem revisão. Preço parado por 12 meses é redução de preço na prática.
  5. Todo orçamento é aceito de primeira. Aprovação de 100% costuma indicar preço baixo, não talento comercial.

Reajuste é anunciado antes, com data, e aplicado a orçamentos novos, nunca no meio de um serviço aprovado. Alterar valor de orçamento já aceito exige acordo das duas partes, conforme o §2º do artigo 40 do Código de Defesa do Consumidor, o mesmo detalhado no modelo de orçamento de serviço.

A parte difícil não é decidir o percentual: é a mensagem. Os modelos prontos de aviso de reajuste de preço cobrem o cliente mensalista, o eventual e o que reclama. Em serviços cobrados por área, a hora nova se traduz direto no metro, veja quanto cobrar por metro quadrado de pintura.

Perguntas frequentes

Como calcular o valor da hora de trabalho de um autônomo?
Some o custo fixo do mês com a retirada desejada e divida pelas horas faturáveis do mês, não pelas trabalhadas. Com R$ 1.200 de custo fixo, R$ 3.000 de retirada e 120 horas faturáveis, a hora fica em R$ 35.
Quantas horas de um mês são realmente faturáveis?
Depende do ofício, mas raramente passa de 60% a 70% das horas trabalhadas. Orçamento, compra de material, deslocamento, cobrança e garantia consomem o restante e precisam estar pagos pelas horas vendidas.
Devo cobrar por hora ou por diária?
Calcule por hora e apresente como diária se for o costume do ofício. A diária é só a hora multiplicada pelas horas do dia, e vira armadilha quando é escolhida como número redondo sem nenhuma conta atrás.
Como incluir férias e 13º no valor da hora?
Acrescente cerca de 8,3% à retirada para cada um. Querer 30 dias parados e o equivalente a um 13º transforma uma retirada de R$ 3.000 em aproximadamente R$ 3.500 na base do cálculo.
A visita de orçamento pode ser cobrada?
Pode, e é comum em elétrica, refrigeração e hidráulica. O modelo mais aceito é cobrar a visita técnica e abater o valor caso o serviço seja fechado, o que remunera o diagnóstico sem afastar o cliente.
Como avisar o cliente antigo de um reajuste?
Avise antes, com data de início e escopo mantido, e aplique só a orçamentos novos. Serviço já aprovado tem preço travado: o §2º do art. 40 do CDC só permite alteração por acordo entre as partes.

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